Bright Young Things

Por Catarina da Mota Brandão

Bright Young Things
, adaptação para o cinema do romance Vile Bodies, de Evelyn Waugh, marca a estréia como diretor e roteirista do consagrado ator inglês Stephen Fry. O filme, que tem como cenário a Inglaterra pré-Segunda Guerra Mundial, retrata o estilo de vida glamouroso e superficial de um grupo de jovens ricos e decadentes da época. Bright Young Things é o equivalente britânico para o que se costuma chamar nos Estados Unidos de The Gatsby Generation, termo que define a geração de jovens que inaugurou a moderna cultura da celebridade.

O elenco apresenta caras novas e também atores conhecidos como Stockard Channing, Dan Aykyroyd e Peter O’Toole. A trama é centrada no casal formado pela falida aristocrata Nina (Emily Mortimer) e seu noivo – o jovem e também pobre colunista Adam (Stephen Campbell Moore) –, que abastece de fofocas e estórias um tablóide local. Junto com o alucinado grupo de amigos, eles conduzem uma vida dedicada exclusivamente a diversão: bailes extravagantes que vão até o amanhecer, muito jazz, drogas e rompimento de padrões morais e sexuais. O clima de exuberância fica ainda mais acentuado pela iluminação chamativa em algumas cenas.

A segunda metade começa sombria, com o suicídio de um colunista - motivado, em parte, pela insensibilidade de socialites que deviam a ele sua fama. Essa nota trágica prenuncia a virada moralista, representada pelo adoecimento da líder do grupo, Agatha (Fenella Woolgar), internada e louca. É um balde de água fria. Tudo isso acontece muito cedo no filme, que também sofre de excesso de ambição.

Os personagens e incidentes são inúmeros, o que faz com que alguns excelentes atores sejam subutilizados e a estrutura dramática fique comprometida. São muitas frentes, caricatura, comédia, sátira, romance, fim de uma era. É um espaço temporal tão amplo que seria necessária uma série e não apenas um filme para lidar com tamanha multiplicidade.

Falando assim, pode parecer que Bright Young Things não vale a pena. Vale sim, e muito, especialmente se você é, como eu, apaixonado(a) pela atmosfera hedonista dos anos loucos.

O filme tem figurinos incríveis e algumas atuações fenomenais, como a da atriz de teatro Fenella Woolgar, que rouba a cena em sua estréia no cinema. A trilha sonora também é um atrativo a parte.

Catarina da Mota Brandão é jornalista e mora na Cidade do Cabo (África do Sul).

Ficha Técnica: Bright Young Things
Direção: Stephen Fry
Elenco: Stephen Campbell Moore, Emily Mortimer, Fenella Woolgar, James McAvoy, Julia McKenzie, John Mills, Jim Broadbent, Simon Callow, Richard E. Grant, Jim Carter, Imelda Staunton, Peter O'Toole, Harriet Walter, Bill Paterson, Lisa Dillon, David Tennant, Stockard Channing, Dan Aykroyd
Nacionalidade: Inglaterra, 2003
Duração: 106 minutos
Gênero: Comédia

 

 

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Raquel Sá - 2004